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Sex, 13 de Agosto de 2010 15:29

OGX diz que reserva equivale a meia Bolívia

O empresário Eike Batista estimou ontem que o potencial das reservas de gás da OGX Maranhão, empresa  resultante da sociedade entre a OGX e a MPX Energia, na Bacia do Parnaíba seja de 10 trilhões a 15 trilhões de pés cúbicos. Este volume seria equivalente à metade do que possui a maior fornecedora de gás natural ao País, a Bolívia.

Com essa descoberta, a MPX, braço de geração do grupo que o empresário lidera, terá combustível suficiente para abastecer suas usinas de geração termoelétrica, que deverão somar 1,863 mil megawatts (MW) de potência instalada naquele estado. Com esse anúncio, Eike estimou que a produção seja de 15 milhões de metros cúbicos ao dia. Esse volume representa 25% do que o Brasil produz diariamente.

O poço da descoberta é o OGX-16 e está a 1.654 metros de profundidade. Para a exploração dos reservatórios, a OGX prevê investimentos de cerca de R$ 700 milhões. Segundo a empresa, já foram aplicados R$ 59 milhões em testes de sísmica e no início da perfuração de um dos reservatórios. Por estarem localizados em terra, os valores são menores que os registrados nas explorações em alto-mar.

Além do investimento na exploração, a MPX aportará cerca de US$ 2,8 bilhões, considerando um potencial máximo de 4 mil MW de geração de energia.

A OGX também divulgou ontem um lucro líquido de R$ 57,8 milhões no segundo trimestre.

Como reflexo desse anúncio, as ações ordinárias das empresas MPX (MPXE3) e da OGX (OGXP3) apresentaram forte alta no pregão da BM&F Bovespa. Ao final do dia, no after-market, a valorização dos papéis alcançou 9,89% e 2,79%, respectivamente, à cotação de R$ 24,12 e de R$ 18,80 a unidade.

O empresário Eike Batista estimou que o potencial das reservas de gás da OGX Maranhão equivale à metade do que possui a Bolívia.

As empresas OGX e MPX, controladas pelo empresário Eike Batista, anunciaram nesta quinta-feira (12/08) a descoberta de gás natural na Bacia do Parnaíba. A descoberta é um feito que abre uma nova fronteira em bacia terrestre, coisa que não acontecia no Brasil há 20 anos.

O poço está no território do Maranhão. O anúncio da descoberta foi feito pelo próprio Eike Batista, através de seu twitter. Numa primeira postagem no microblog, ele anunciou: “OGX e MPX encontram gás na bacia do Parnaíba. Viva o Brasil, viva a inteligência brasileira!!!”. Em outra postagem, acrescentou: “A descoberta da OGX e da MPX abre uma nova fronteira em bacia terrestre, coisa que não acontecia há 20 anos no Brasil!!!”

A descoberta aconteceu no bloco PN-T-68, um dos sete que a empresa está autorizada a explorar no lado maranhense. A notícia reforça a suspeita de que pode haver petróleo na Bacia do Parnaíba, especialmente na área do Piauí, onde a Petrobrás realiza estudos semelhantes.

As primeiras avaliações da Petrobrás apontam para a perspectiva de gás e petróleo no lado piauiense da Bacia do Parnaíba, onde já foram realizados estudos sísmicos. Por esse tipo de teste, são feitos impactos no solo; a resposta sonora (como um grande ultra-som) indica a probabilidade de existir esses recursos naturais.

Os estudos em território piauiense estão acontecendo especialmente no entorno de Floriano e no Médio Parnaíba. Como a formação da bacia é semelhante nos lados leste e oeste do rio, a descoberta da OGX aumenta as esperanças de gás natural e petróleo no subsolo do Piauí.

 

ÍNTEGRA DO COMUNICADO:
 
OGX faz primeira descoberta na bacia terrestre do Parnaíba

A OGX divulgou nesta quinta-feira, através de seu site (www.ogx.com.br) o seguinte comunicado ao mercado:

A OGX Petróleo e Gás comunica que, através de sua subsidiária OGX Maranhão, identificou a presença de gás na seção devoniana do poço 1-OGX-16-MA, no bloco PN-T-68, na bacia terrestre do Parnaíba. A OGX Maranhão, sociedade formada entre OGX S.A. (66,6%) e MPX Energia S.A. (33,3%), é a operadora e detém 70% de participação neste bloco, enquanto a Petra Energia S.A. detém os 30% restantes.

"Esta descoberta abre uma nova fronteira exploratória em uma bacia terrestre, fato que não ocorria há aproximadamente duas décadas no Brasil. Convém também ressaltar que a campanha exploratória, iniciada em outubro de 2009, está sendo conduzida por companhias brasileiras, obtendo importantes resultados em tempo recorde", comentou Sr. Paulo Mendonça, Diretor Geral da OGX.

"Viva o Brasil, viva a inteligência brasileira", comentou Sr. Eike Batista, acionista controlador e Presidente do Conselho de Administração da OGX.

Após perfurar os primeiros 10 metros da seção devoniana com expressivos indícios de gás, à profundidade de 1.654 metros, a OGX Maranhão decidiu realizar um teste de formação. O poço foi aberto para fluxo às 5:30 de hoje e, após dez minutos de abertura, constatou-se a presença de gás na superfície e, às 6:00, o poço estava com 1.900 psi de pressão, sendo, em seguida, fechado para estática. No segundo fluxo, iniciado às 8:00, foi alinhado para o queimador, apresentando uma chama de aproximadamente 15 metros.

Com os dados sísmicos adquiridos até o momento, já foram mapeados em torno de 20 novos prospectos, sendo cinco deles situados no trend desta descoberta, sinalizando para o altíssimo potencial desta região da bacia, na qual a OGX Maranhão detém sete blocos, totalizando aproximadamente 21.000 km². A perfuração do poço OGX-16, prospecto denominado Califórnia, continua em andamento até a profundidade total estimada de 3.450 metros em buscas de novos objetivos exploratórios.

O poço OGX-16, localizado no bloco PN-T-68, situa-se a aproximadamente 260 km de São Luis, capital do Maranhão. A sonda QG-1, fornecida pela Queiroz Galvão, iniciou as atividades de perfuração no dia 5 de julho de 2010.

O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, defende que o governo saia "mais dono" da Petrobras após a capitalização da empresa, informa reportagem de Valdo Cruz para a Folha.

Lima defende ainda que o preço das reservas de petróleo que a União usará na operação seja o "mais alto" possível, porque é "bom para os brasileiros".


O diretor da ANP avalia como "baixo" um preço entre US$ 5 e US$ 6 para o barril de petróleo das reservas que a União cederá à estatal como sua parte no aumento de capital -esse valor é citado por analistas de mercado e criticado internamente pelo governo.

Em entrevista à Folha, ele disse que nem minoritários nem Petrobras podem querer "ganhar" à custa da União pressionando por um preço que não seja "vantagem" para os brasileiros. A ANP contratou a Gaffney, Cline & Associates para avaliar o volume e o valor dos 5 bilhões de barris de petróleo que a União dará à Petrobras na capitalização da empresa. Quanto maior o valor, mais ações poderá adquirir.

 A Petrobrás Biocombustível anunciou na última sexta-feira a assinatura de um contrato de arrendamento de terra para implantação de um viveiro de mudas de palma no município de Mocajuba (PA). A matéria-prima será usada em uma usina de biodiesel que será construída pela empresa no Estado e que deve começar a operar em julho de 2013.

Com investimentos previstos de R$ 330 milhões, a nova usina terá capacidade de produzir 120 milhões de litros de biodiesel por ano para atender a região Norte. Além da unidade de produção de biodiesel, o projeto prevê a instalação de dois complexos industriais de extração do óleo de palma, incluindo esmagadoras e unidade de cogeração de energia elétrica.


A implantação do viveiro de mudas é o primeiro passo para o desenvolvimento da parte agrícola do projeto. A área de 300 hectares será destinada ao cultivo de 1,1 milhão de sementes. O plantio das mudas nas áreas de produção está previsto para dezembro de 2011 e o início da colheita a partir de 2014.


As mudas serão disponibilizadas aos parceiros da Petrobrás Biocombustível no plantio de palma. Entre eles, cerca de 1.250 agricultores familiares da região chamada Pólo do Dendê, nos municípios de Igarapé-Miri, Cametá, Mocajuba e Baião. A empresa já realizou uma ação de cadastramento nesta região e fez a localização geográfica das propriedades de agricultores familiares, que servirá para o processo de regularização fundiária e obtenção do Cadastro Ambiental Rural (CAR).


Segundo o diretor de Suprimento Agrícola da Petrobrás Biocombustível, Janio Rosa, a empresa investirá também em tecnologia agrícola. "Estamos estudando a aplicação de um método, desenvolvido pela Embrapa, que evita a queimada e reduz em cerca de 80% a emissão de CO2 no preparo da terra comparado ao método tradicional", comenta o diretor sobre o método que prepara o terreno por meio de corte e trituramento, que ainda contribui para fertilizar o solo a partir da decomposição dos resíduos vegetais.

 A OGX Petróleo e Gás solicitou licença ao Governo do Maranhão para procurar gás natural em Bacabal e outras regiões do estado do Maranhão. A empresa já recebeu licença prévia da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), válida até 18 de novembro deste ano, para a atividade de perfuração de poço exploratório de petróleo e gás no bloco PN-T-68, na Bacia do Parnaíba, localizado em Capinzal do Norte, município onde a empresa pretende instalar uma usina termelétrica com capacidade para produzir 1.000 MW de energia elétrica.

Com validade até 12 de maio de 2012, a empresa de Eike Batista também recebeu licença de operação (LO) da Sema para atividade de pesquisa sísmica em seis blocos na Bacia do Parnaíba, abrangendo os municípios de Barra do Corda, Itaipava do Grajaú, São Roberto, São Raimundo do Doca Bezerra, Joselândia, Esperantinópolis , Santa Filomena do Maranhão, Presidente Dutra, Dom Pedro, São José dos Basílios e Tuntum.

A empresa requereu ainda licenças de instalação (LI) e de operação (LO) para atividades de pesquisa sísmica nos mesmos blocos, mas com abrangência nos municípios de ltamira do Maranhão, Alto Alegre, Bacabal, Bom Lugar, Coroatá, Paulo Ramos, Vitorino Freire e Santa Luzia.

Desde o início do ano, a OGX vem realizando pesquisa sísmica na Bacia do Parnaíba, que envolve a utilização de equipamentos tradicionais, típicos de bacias terrestres, como sismógrafo, caixas coletoras de sinal, cabos condutores, equipamentos portáteis de comunicação, etc, que são materiais de pequeno porte e não provocam movimentação de larga escala na região.

A perspectiva da OGX E9 de encontrar gás natural na região, insumo que será fundamental para o projeto da empresa de instalar uma usina termelétrica em Capinzal do Norte. Será a segunda planta do grupo no Maranhão, que está construindo uma usina nas proximidades do Porto do Itaqui movida a carvão mineral.

Os sete blocos que estão sendo objeto de pesquisa referem-se à nona Rodada de Licitações, realizada pela ANP, em 2007, e que foram adquiridos da Tetra Energia pelo valor de R$ 10,4 milhões, constituindo a OGX Maranhão Petróleo e Gás.

O desafio criado pela exploração do pré-sal levou fornecedores da Petrobras a acelerar o desenvolvimento de tecnologias para o projeto.

Três multinacionais que já atuam no Brasil constroem, pela primeira vez na América Latina, centros tecnológicos semelhantes aos que têm nos EUA e na Europa.

Esses centros estão no Parque Tecnológico, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. O parque receberá mais empresas dispostas a fazer pesquisas em petróleo.

Aproveitam, assim, a proximidade do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) e os conhecimentos de alunos e pesquisadores da UFRJ, que têm na ilha seu maior campus.

A pesquisa tecnológica do pré-sal tem por alvo o aumento da produção na bacia de Santos, considerada a região mais promissora -e mais difícil-, onde estão dez blocos, entre eles Tupi e Iara.

A produção ali hoje é experimental e só atingirá grande escala em 2013.

"Extrair o máximo de óleo a custo viável é a meta", diz Paulo Couto, vice-presidente de tecnologia da FMC Technologies. A Petrobras não revela o custo de extração no pré-sal, mas afirma que é viável com barril a US$ 45.

O desafio da Petrobras no pré-sal é perfurar uma rocha -a carbonática- cujo ritmo de produção de óleo é pouco conhecido, atravessando antes uma camada de sal semelhante a uma lama, que exerce pressão extra. Tudo a 300 quilômetros da costa, dificultando o transporte de pessoas e equipamentos.

A franco-americana Schlumberger investiu US$ 35 milhões para abrir o centro, em setembro.

Em laboratório, amostras serão colocadas em fornos onde serão reproduzidas temperatura e pressão idênticas às dos reservatórios a 7.000 metros da superfície.

"Ampliar o conhecimento das rochas nos ajuda a estimar melhor o potencial de produção", diz João Félix, vice-presidente de marketing na América Latina.

O vazamento de óleo no poço da British Petroleum (BP) no Golfo do México, nos Estados Unidos - que completou três meses até ser parcialmente contido - provocará mudanças profundas nos sistemas de segurança utilizados pela indústria de petróleo no mundo todo. E no Brasil, as mudanças já se iniciaram. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Ibama e a Marinha começaram a elaborar o primeiro Plano nacional de Contingência para conter vazamentos de petróleo em alto-mar, como nos campos do pré-sal.

Atualmente, a Petrobras elabora os programas de contingência para cada uma das plataformas, mas agora, segundo o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, revelou em entrevista, o governo adotará um plano em nível nacional, com a atuação conjunta dos órgãos fiscalizadores e do meio ambiente.

Apesar de afirmar que os sistemas de segurança adotados no país, assim como sua fiscalização, estão entre os mais avançados do mundo, Lima admite que certamente deverão ser aperfeiçoados devido ao vazamento no Golfo. Mas alerta que o Brasil deve acelerar os projetos de exploração de petróleo no pré-sal e também no pós-sal, com o risco de a matéria-prima perder valor no futuro próximo com o maior uso de fontes alternativas de energia, acelerado pelo acidente nos EUA.

Lima se declarou um defensor não só da aceleração da produção de óleo no pré-sal, como no pós-sal e também nas bacias terrestres, para permitir o desenvolvimento do país e ajudar na redução da pobreza e da desigualdade:

- Temos que nos adiantar para evitar que a gente fique com um mico.

 Devido ao acidente no Golfo do México, nos Estados Unidos, até países como o Brasil deverão realizar mudanças em seus sistemas de segurança?

HAROLDO LIMA: Sim. Mesmo países como o Brasil e a Noruega, que têm segurança operacional moderna, vão ter que se adaptar. Certamente será necessária a adoção de novas medidas de segurança, e a nossa fiscalização também vai aumentar.

Como o senhor responde às acusações de que a ANP estaria sendo omissa no caso do acidente no Golfo do México?

LIMA: Não é verdade. Pelo contrário. Nós tomamos iniciativas imediatas. No dia seguinte ao acidente da BP já começamos a fazer uma avaliação do ocorrido e solicitamos relatórios de operação de todas as empresas petrolíferas que atuam no Brasil.

Diante do megavazamento de óleo da BP, o que acabou levando algumas empresas do setor a adiar novos projetos de exploração, o senhor acredita que o petróleo poderá vir a perder espaço para outras fontes energéticas no mundo?

LIMA: Com a decisão de suspender a exploração de petróleo na costa leste americana, os Estados Unidos estão se privando de explorar reservas de petróleo que variam entre 30 bilhões a 50 bilhões de barris de óleo. Para não se tornarem ainda mais dependentes da importação de petróleo, principalmente do Oriente Médio, acredito que os Estados Unidos vão acabar sendo obrigados a investir fortemente em combustíveis alternativos.

O senhor acredita que o temor de novos acidentes poderia colocar em risco, aqui no Brasil, a exploração do petróleo na camada do pré-sal?

LIMA: As energias alternativas podem tornar mais dispensável o petróleo que temos aqui. Por isso temos que correr um pouco atrás desse nosso petróleo. Temos que nos adiantar para evitar que a gente fique com um mico.

Mas o Brasil não estaria indo na contramão do mundo, já que, lá fora, estão reduzindo o ritmo no lugar de acelerar a exploração do petróleo?

LIMA: Temos maior experiência do que eles. Temos o maior número de sondas de perfuração em operação. Não vamos nos igualar a todos que estão tendo dificuldades. Esse pessoal da Europa não tem a experiência que nós temos, com exceção da Noruega. No pré-sal, por exemplo, já perfuramos 80 poços e, em nenhum deles, ocorreu acidentes. Não vamos sentar nos louros. Temos que aumentar ainda mais nossa segurança, mas sem interromper a atividade de produção.

O senhor acredita que o custo de exploração do petróleo vai aumentar?

LIMA: É possível que sim, mas será um aumento pequeno, se comparado com o potencial de ganhos.

A ANP planeja aumentar a fiscalização na operação das plataformas?

LIMA: Certamente. No ano passado, tivemos uma média de 80 semanas com nossos engenheiros embarcados em plataformas. E o trabalho vai aumentar com a participação da certificadora internacional Bureau Veritas.

Como o Brasil não tem um programa para conter vazamentos em alto-mar, nos campos do pré-sal, o que será feito em caso de um acidente?

LIMA: A ANP, o Ibama e a Marinha estão estudando a criação de um Plano Nacional de Contingência nas atividades exploratórias de petróleo no mar. Atualmente, somente a Petrobras faz seus próprios planos de contingência, que são exigidos pela ANP como pré-requisito para conceder a autorização de operação das plataformas.

Qual dos três órgãos será o coordenador do Plano Nacional de Contingência?

LIMA: A gente acha que deveria ser a Marinha. O Ministério do Meio Ambiente está fazendo os estudos para ver como será feito o plano e quem vai coordenar.

Então o Brasil não deve interromper a exploração de novos campos de petróleo, por causa do vazamento no Golfo do México?

LIMA: Nenhum país do mundo atingiu a área do pré-sal como o Brasil. Nós fizemos 80 poços no pré-sal. Temos que redobrar nossos cuidados e a fiscalização. E vamos tirar proveito de estarmos na frente. Não é porque os países lá fora estão passando por dificuldades, que nós, aqui no Brasil, temos que parar nossa produção.

A exploração no pós-sal também deve ser acelerada no Brasil?

LIMA: O Brasil não se resume ao pré-sal. Podemos estar correndo o risco de ficarmos um pouco ofuscados pelo brilho do pré-sal. O resto do Brasil não tem pré-sal, mas é preciso desenvolver áreas, como a margem equatorial brasileira, que incluí as regiões Norte e Nordeste. Temos oportunidades nestas áreas de desenvolver pequenas e médias empresas de petróleo, como na Bacia do Parnaíba, por exemplo, na parte terrestre dos estados do Maranhão e Piauí. O Brasil precisa aproveitar essa riqueza para melhorar as condições de vida e reduzir a desigualdade social da população local.

A Petrobrás confirmou ontem, 12, a descoberta de petróleo em Angola, em bloco operado pela italiana Eni. Segundo a estatal, as avaliações iniciais indicam a existência de pelo menos 500 milhões de barris de petróleo in place (termo que identifica o volume existente no reservatório, não necessariamente o volume de reservas recuperáveis).

A descoberta está no bloco 15/06, a 100 quilômetros da costa angolana, em lâmina d'água de 470 metros. O poço, batizado de Cabaça Sudeste-1 é o sétimo de oito poços previstos no contrato de concessão - seis dos sete perfurados até hoje tiveram sucesso, informou a Petrobrás. O bloco 15/06 é operado pela Eni (35%), em parceria com Petrobras (5%), Sonangol Pesquisa e Produção (15%), SSI Fifteen Limited (20%), Total (15%), Falcon Oil Holding Angola SA (5%), e a Statoil Angola Block 15/06 Award SA (5%).

O projeto de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) da Petrobras foi apontado pela consultoria KPMG como destaque de infraestrutura no mundo. O levantamento, apresentado pela prática global de infraestrutura da KPMG em conjunto com o Infrastructure Journal, serviço inglês sobre infraestrutura global e financiamento de projetos, relaciona os 100 projetos globais mais interessantes de infraestrutura no mundo, sendo seis deles no Brasil.

A Petrobras construiu dois terminais de regaseificação de GNL, um no Terminal de Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE), e outro na Bahia de Guanabara, no Rio de Janeiro. A regaseificação é realizada a bordo de navios. Em operação desde janeiro de 2009, os terminais têm, juntos, capacidade para processar 21 milhões de m³/dia de gás natural.

A regaseificação é feita a bordo dos navios Golar Winter e Golar Spirit, afretados da multinacional Golar LNG. Os dois navios operavam como transportadores de GNL e foram adaptados, especialmente para os projetos da Petrobras, para, além de transportar, armazenar e regaseificar o gás na forma líquida. Na prática, os navios funcionam como reservatórios de gás natural e podem ser considerados o coração do projeto GNL Petrobras. A lista da KPMG cita o projeto como Golar/Petrobras FLNG.

Uma das inovações do projeto GNL Petrobras é a transferência de gás natural liquefeito entre os navios - supridor e regaseificador - por meio de braços criogênicos, capazes de suportar temperatura de 162° C negativos.

O potencial de replicação deste projeto globalmente foi a principal razão apontada pelos julgadores para incluí-lo nesta lista, divulgada no fim de junho, e que relaciona apenas um projeto por área da infraestrutura. Os cinco principais critérios para a escolha dos projetos foram sua replicação, viabilidade, complexidade, inovação e impacto na sociedade.

 

FONTE: PETROBRAS

A capitalização da Petrobras não deverá ser tão elevada que prejudique os minoritários e nem tão baixa que desagrade o governo, avaliou o consultor da estatal Carlos Henrique Castro, há 31 anos na empresa.

Segundo ele, não há necessidade de um exagero nessa que ele considera "a primeira de algumas capitalizações que serão feitas pela companhia para o pré-sal."

"Essa capitalização não precisa ser tudo de uma vez, porque no futuro pode haver outras, é um processo natural", explicou Castro a jornalistas após palestra no XI Encontro de Conselheiros da Previ.

A Petrobras pretende realizar até o fim de julho o que pode ser o maior aumento de capital do mundo, estimado em cerca de 50 bilhões de dólares, sendo 32 por cento destinados ao governo brasileiro e o restante para os acionistas minoritários.

Os recursos têm por objetivo cumprir o Plano de Negócios da companhia para o período 2010-2014, que foi discutido nesta quinta-feira pela diretoria da empresa e na sexta será apreciado pelo Conselho de Administração.

Para o consultor, o Plano de Negócios provavelmente não vai ultrapassar o teto de 220 bilhões de dólares já anunciados pela estatal. Segundo a Petrobras, o plano para o período deve demandar entre 200 e 220 bilhões de dólares.

"Deve ficar no que a diretoria falou, não deve passar, a empresa sabe das implicações que isso teria no mercado", estimou.

De acordo com Castro, o valor do barril de petróleo que será usado para precificar a cessão onerosa --blocos cedidos pela União à Petrobras sem licitação em troca indireta por ações da empresa-- estará mais para 5 dólares, o piso das estimativas de mercado.

"Se a cessão vem com preço alto, o investidor não vai gostar", avaliou.

O consultor informou ainda que para fazer caixa também com objetivo de investir no pré-sal, a Petrobras vai acelerar a produção nas descobertas feitas recentemente na bacia de Campos, maior região produtora do país, mas cujo declínio de produção poderia torná-la menos importante no futuro, diante das grandes descobertas na região do pré-sal da bacia de Santos.

"Vai acelerar a produção. Claro que não é coisa para amanhã, mas com as facilidades de estrutura da bacia de Campos, em menos de dois anos devem estar produzindo", informou ele, ressaltando que o fato de já haver estrutura de produção perto das novas descobertas facilita a operação.

Desde o início deste ano, a Petrobras anunciou pelo menos mais três descobertas relevantes do pós-sal e pré-sal da bacia de Campos, perto de estruturas de produção já montadas, o que vai facilitar a interligação dos novos poços aos sistemas em operação.

"Precisamos de geração de fluxo de caixa, a ideia é antecipar a produção nesses campos," explicou.

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